Juiz diz em ato de repúdio contra atentado sofrido por promotor que tem  medo de ter medo

 

    O Ministério Público de Nova Lima, na Grande BH, realizou um ato público nesta sexta-feira, 27, em repúdio ao atentado sofrido no final da semana passada pelo promotor Marcus Vinício de Ribeiro Cunha, alvejado com uma saraivada de tiros numa emboscada praticada por um ex-vereador e seu filho, na cidade de Monte Carmelo, no Alto Paranaíba.

    O evento foi organizado pela titular da 2ª Promotoria de Justiça, Elva Cantero, com a participação das promotoras Andressa Lanchoti e Shirley Fenzi Bertão, vice-presidente da Associação Mineira do Ministério Público (AMMP), além do juiz da comarca Juarez Morais de Azevedo, que representou a Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS).

    O ato público ocorreu simultaneamente a diversos outros realizados nas comarcas do Estado, por iniciativa do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), a Associação Mineira do Ministério Público (AMMP), a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), a Procuradoria-Geral de Justiça de Minas Gerais (PGJ-MG), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Associação dos Magistrados Mineiros (AMAGIS).

    Para a promotora Elva Cantero, o desagravo serve “para uma reflexão sobre a função do Ministério Público na sociedade brasileira: a de auxílio na construção de um país democrático de direito”. E completou:

    “Se nós, que somos juízes, promotores e políciais, somos intimidados, ameaçados e, às vezes. violentados, imaginem o que pode acontecer com o cidadão comum?”, indagou, perplexa, a promotora.

    O juiz Juarez Azevedo destacou de improviso que o Poder Judiciário não se curvará diante das ameaças e intimidações e conclamou a todos – juízes, promotores e policiais – a se unirem para combater o crime organizado que infesta o País.

Azevedo exemplificou casos concretos de ameaças às autoridades em sua comarca e se perguntou: “o medo que temos que ter é de ter medo, mas tem hora que temos medo de ter medo, e isso é ruim para a sociedade”.

    A promotora Shirley Fenzi enfatizou que o seu colega Marcus Ribeiro foi atacado covardimento pelo criminoso ao sair do serviço, “às oito horas da noite de um sábado, em pleno exercício de sua função”.

    E detalhou o atentado:

    “O promotor entrava no carro quando o agressor se aproximou dele e disparou vários tiros em sua direção; Marcus curvou-se dentro do carro, e no que o homem foi trocar o pente da arma, ele fugiu, mesmo ferido, correndo em zigue-zague com o agressor atirando em sua direção”.

Marcus refugiou-se em um estabelecimento comercial e o suposto autor dos disparo, Juliano Aparecido de Oliveira, e seu pai, Valdelei José de Oliveira, foram presos horas depois numa operação policial.

    Valdelei era presidente da Câmara dos Vereadores da cidade quando foi investigado e cassado por fraude em licitação, numa ação comandada pelo promotor em 2013, numa bem-sucedida operação que ficou conhecida como “Feliz Ano Novo”.

    O evento serviu para recordar outros atentados ocorridos em Minas, como o que resultou na morte do promotor Francisco José Lins do rêgo, o Chico Lins, executado em 25 de janeiro de 2002 quando investigava uma quadrilha que fraudava combustível.

 

 

Promotor Marcus Ribeiro foi baleado por vereador cassado por fraude em licitação

Afastamento de vereador

acirra disputa pela nova

Mesa Diretora da Câmara

Afastamento temporário de Coxinha, do grupo do candidato oposicionista Zé Guedes (DEM), e posse da suplente Babá (PRTB), que apoia Ângela Lima para a presidência, altera o quadro para a disputa da nova Mesa Diretora e causa revolta na oposição que acusa o presidente Nélio Aurélio de arbitrariedade. Briga pode parar na justiça.

    A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Nova Lima promete pegar fogo dia 1º, quando serão escolhidos os novos dirigentes do Poder Legislativo para o biênio 2015-2016.

    A disputa se acirrou nesta semana, quando o presidente Nélio Aurélio (PMDB), que apoia a candidata de seu partido Ângela Lima para a presidência, afastou do cargo o vereador oposicionista Alessandro Coxinha (PRTB), do grupo do candidato democrata Zé Guedes.

    Coxinha é acusado de decoro parlamentar por agressão física a uma médica, conforme processo movido pela vítima na justiça, e de “duplicidade de vencimentos”, ao receber salários da prefeitura, mesmo na condição de vereador.

    O afastamento de Coxinha ocorreu durante tumultuada reunião e revoltou a oposição que acusa o presidente de abuso de poder ao “transgredir as normas da casa para afastar o vereador e levar vantagem na eleição para a nova Mesa Diretora”.

    Nélio Aurélio se defende das acusações, afirmando que agiu de acordo com o Regimento Interno da Câmara e da Constituição Federal.

    “Abri a reunião com 10 vereadores. Quando a oposição viu que seriam lidas as duas denúncias contra o vereador Coxinha, simplesmente abandonou o plenário, como o fez das vezes anteriores, imaginando que isso impediria a continuidade dos trabalhos legislativos, o que não foi o caso”, conta o presidente Nélio Aurélio.

“Amparado pela lei”

    Com 5 vereadores em plenário, e “amparado pelo quórum mínimo de plenário, previsto em lei”, Nélio afirma que deu continuidade aos trabalhos, visto que a reunião fora aberta com a presença dos 10 vereadores.

    “Fizemos a leitura das denúncias, sorteamos as duas comissões que investigarão se houve ou não quebra de decoro parlamentar contra o vereador Coxinha e dei posse à suplente Babá (Babá Couto (PRTB)”, resume Nélio Aurélio.

    O presidente nega qualquer ligação entre o afastamento de Coxinha e a eleição da nova Mesa Diretora, alegando que tudo não passa de uma grande coincidência, mas a verdade é que o grupo apoiado por ele vai para a eleição do dia 1º mais fortalecido.

    A disputa pela presidência da Casa estava dividida ao meio, com 5 vereadores de cada lado, mas como Guedes é mais velho, levava vantagem na disputa com Ângela Lima.

    Porém, com o afastamento de Coxinha e a posse de Babá, que apoia a situação, a candidata Ângela Lima, líder do governo, passa a ter maioria dos votos (seis ao todo), contra os 5 de Zé Guedes, pelo menos este é, teoricamente, a prévia da eleição.   

 

 

 

Família Milagres, do patriarca Antônio Rodrigues Milagres, realizará o seu primeiro encontro em São Miguel do Anta.

 
 
 

            A família Milagres, do patriarca Antônio Rodrigues Milagres, Nico (1890-1965), realizará dia 3 de janeiro, em São Miguel do Anta, o primeiro encontro da família, tendo como oganizadores os descendentes do clã Sebastião Milagres (1918-2010) e Mirtes (1916-2002). 

            Nico, descendente de portugueses da região de Cambeses (divisa de Portugal com a Espanha) e Ernestina (1891-1980), uma cafuza mestiça da família Fialho, casaram-se em 1906, em Pedra do Anta, na Zona da Mata Mineira, onde tiveram os primeiros filhos.

            O casal mudou-se para São Miguel onde fundou a centenária Padaria Santa Cruz, durante anos sob o comando de Sebastião que fez parte da emancipação do município, em 1954, e da primeira legislatura da Câmara Municipal dos Vereadores.Foi, também, um dos pioneiros na construção da nova matriz de Nossa Senhora da Conceição, cujas obras tiveram início no final da década de 1950, sob o comando do Padre Wandick Elias Gomes.

           Sebastião viveu a vida toda em São Miguel, ao contrário dos irmãos Antônio (falecido aos 21 anos, na década de 1920), Braga, Júlia,  Edgar, Neli (todos também  já falecidos), e Olga, que vive hoje em Timóteo, aos 85 anos.

Todos os filhos de Nico e Ernestina  tiveram família numerosa, a exemplo de Sebastião e da professora Mirtes (da tradicional família Pereira), pais de Didi, Celso, Ildeu, Conceição, Gracinha, Tetina, Zezé, Dodora, José Milton e Mirtes Maria, criados e formados em São Miguel.

            Única filha viva de Nico e Ernestina – e matriarca dos Silva Milagres (casou-se com Zé da Silva,em 1945) – Olga Milagres, mãe de 11 filhos, 22 netos e 11 bisnetos, é aguardada com grande expectativa neste encontro de sua família.

Entre parentes de 1º e 2º graus e os afetivos, a família conta com mais de 200 membros espalhados por diferentes regiões do Estado.

 

Dados do evento e convite


"A união da Família Milagres representa as nossas origens com a benção de Deus"

 

Para revivermos a alegria dos nossos antepassados e relembrarmos a felicidade das festas e dos convívios é que estamos convidando todos da Família Milagres, descendentes de Antônio Rodrigues Milagres (Pai Nico) e de Ernestina Fialho de Resende (Mãe Tetina), para o Primeiro Encontro da Família Milagres, que se realizará em São Miguel do Anta - MG, no dia 03 de janeiro de 2015.

Contamos com a presença do maior número possível de descendentes/agregados (esposos-as e namorados-as), pois estamos preparando uma festa bem legal para brindarmos a alegria de estarmos juntos com os nossos familiares.

 

 

Data:

- 03 de janeiro de 2015 à partir das 18:00 horas

 

Local do encontro:

  

Buffet Balança -  Fazenda Balança em São Miguel do Anta (regado a muita comida, muita bebida, muita música e muita alegria).

 

  Valor: em torno de R$ 95,00/pessoa (crianças menores de 10 anos estarão isentas)

Opcional (para todos aqueles que residem ou forem pernoitar em S. Miguel e que forem viajar na tarde do domingo):

- Almoço no domingo, dia 4, no Buffet Balança à partir das 13:00 horas (valor R$ 30,00/pessoa,  bebida alcoólica não incluída).

 

 

RELAÇÃO DE HOTEIS   - aqueles que desejarem se hospedar em São Miguel ou Viçosa, terão as seguintes opções para fazerem as reservas:

 

- São Miguel do Anta

Hotel Dubosque – Tel: 31 7155 1132 (Vivo)

                                     31 3897 1469 (Oi Fixo)

Valor: 30,00 a 50,00 reais.

 

Pousada Tropical (mais simples) – Tel: 31 8343 9713 (Claro)

                                                               31 9668 2224 (Vivo)

Valor: 20,00 reais.

 

- Viçosa

Vivant Suites Hotel – 31 3891 1999 – Diária: R$ 168,00/casal

www.vivanthotel.com.br

recepção@vivanthotel.com.br

Rua dos Estudantes, 75 - Centro

 

    INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

Prazo para confirmar presença: Impreterivelmente até 03/12/1914 com Ilmara Gláucia:

e-mail: ilmaragalaucia@yahho.com.br

31 9655 4035 (Vivo)

31 8444 9278 (Claro)

31 3897 1278 (Oi Fixo)

Como é difícil fazer camisetas para serem usadas durante o evento que agradem a todos, sugerimos que todos venham com camisa/camiseta/blusa/vestido branco, pois faremos um “Boton” alusivo ao encontro para ser colado na roupa.

Pagamento : até o dia 10/12/2014 diretamente para Ilmara ou depositar em nome de:

Ilmara Glaúcia Milagres Moreira

Banco do Brasil – Agência: 0428-6 – Conta corrente: 66 180-5

 

                    A família

                       

                             Estudos genealógicos revelam que a família Rodrigues Milagres tem suas origens na pequena freguesia de Nossa Senhora dos Milagres de Cambeses, termo da Vila de Monção, na região do Minho, às margens do rio de mesmo nome, no extremo norte de Portugal, quase na divisa com a região espanhola da Galícia. Cambeses é uma comunidade antiga, anterior a Portugal, enquanto reino unido e consolidado.

                 Ao contrário de outras famílias, os Milagres não possuíam até então um brasão de armas, pois o sobrenome se deve a um fato de cunho religioso. Uma criança foi encontrada num cesto boiando em um rio de Cambeses (Portugal) e, devido ao milagre, deram-lhe este sobrenome. Tornou-se Antônio Rodrigues Milagres. Ele casou-se com a valenciana Páschoa Lourença da Silva, filha de Domingos Lourenço, natural da freguesia de Santa Maria da Moreira, em Valença do Minho. Este casal vivia em Cambeses, onde também nasceram os filhos e entre eles, o patriarca dos Milagres no Brasil, Luiz Rodrigues Milagres, que veio para o Brasil em meados do século XVIII,  entre 1745 e 1749.

                   Segundo o historiador Joaquim Rodrigues de Almeida, no esboço genealógico publicado no livro Cartas ao Irmão, que trata da vida do Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, bisneto de Luiz Rodrigues Milagres, nosso patriarca era um reinol com sonhos de grandeza e de boa origem, que optou por vir para a região das minas de ouro. Estabelecendo-se nas Minas Gerais, o jovem Luiz Rodrigues Milagres casou-se na Freguesia de Santo Antônio de Ouro Branco, por volta de 1750, com Eufrásia Maria de Jesus, natural de Ouro Branco, filha de Francisco de Sousa Lima, português e da brasileira Maria Gomes de Oliveira, natural de São Paulo.

                   A família Sousa Lima, que também se expandiu para a região de Ouro Preto e para a Zona da Mata mineira, também teve grande projeção nas Minas Gerais. A partir deste casal, a grei dos Milagres  expandiu-se inclusive para outros estados. O solar da Fazenda Boa Vista, em Catas Altas da Noruega, foi levantado por Luiz Rodrigues Milagres nas terras das quais comprou as posses. Contudo, não satisfeito, conseguiu aos 28 de setembro de 1753, carta de sesmaria de meia légua de terras, concedidas pelo governador da Capitania das Minas Gerais e Rio de Janeiro.

                   Segundo Joaquim Rodrigues de Almeida, Luiz Rodrigues Milagres e Eufrásia Maria de Jesus tiveram dez filhos, sendo quatro varões e seis mulheres, mas acredita-se tratar de um erro, pois em seu esboço genealógico, após essa informação, ele mesmo aponta os cinco filhos homens e apenas cinco mulheres, sendo iguais o número de filhos e filhas. Contudo, outro genealogista famoso, o cônego Trindade, em sua obra Velhos Troncos Mineiros, no capítulo sobre a família Milagres, aponta o nome de outra filha de Luiz Rodrigues Milagres, chamada Ana Maria Milagres, casada e com pelo menos um filho padre. Sendo assim, realmente o casal Luiz e Eufrásia teve onze filhos, sendo cinco homens e seis mulheres. Desde as origens, a família Milagres destacou-se na melhor sociedade das Minas Gerais, o que pode-se verificar pelo entrelaçamento de seus descendentes com famílias de destaque na história de Minas e do Brasil e alguns se destacaram inclusive internacionalmente.

                   Entre fazendeiros, militares, magistrados, políticos, religiosos, artistas, pessoas ligadas à cultura e à nobreza, mas também entre pessoas de origem humilde, os Milagres construíram uma história sólida, motivo de orgulho para seus descendentes, hoje em sua maioria pessoas simples e de bom coração, muitos com forte vocação religiosa. Temos como berço dos Milagres em Minas, durante o século XVIII, a região  formada pelos atuais municípios de Catas Altas da Noruega, Lamim, Itaverava, Senhora de Oliveira, Piranga, Rio Espera, Santana dos Montes, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Queluzito.

                   Contudo, no século XIX os atuais municípios de Caranaíba, Ponte Nova, Viçosa, São Miguel do Anta, Capela Nova, Ouro Preto, Mariana, Prados, São João Del Rei, Barbacena, Senhora dos Remédios e Juiz de Fora, além de outros, foram importantes na história da família.

 

 

 

 

 

Juiz Juarez Azevedo completa 

23 anos de Comarca em 

Nova Lima como um dos 

mais importantes do País

 

     

    O juiz criminal Juarez Morais de Azevedo (na foto acima durante recebimento do Prêmio Innovare 2011 da ministra do STJ  Nancy Fátima Andrighi) completou nesta quinta-feira 23 anos de serviços prestados à Comarca de Nova Lima, na Grande BH, onde ingressou em 1991 e tornou-se um dos mais respeitados magistrados de Minas.

      Estudioso do sistema penal brasileiro, Azevedo fundou em 2004 a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC-NL), hoje referência em todo o território nacional.

      A prática APAC valeu-lhe o Prêmio Innovare 2011, um dos mais importantes do País na área jurídica, pela sua contribuição na humanização do sistema e na redução dos índices de criminalidade no País.

      Modelo de cadeia sem polícia e de autogestão, a APAC tem como filosofia fazer com que o recuperando – como são chamados seus internos – deixem o sistema melhor do que quando entrou.

      Esta é a principal bandeira de Azevedo na Comarca, onde acumula a função de juiz da Infância e da Juventude, também com vários trabalhos científicos reconhecidos nacionalmente neste setor.

Buscando soluções

     Outra obra de vulto de Azevedo é o Instituto Nova-limense de Estudos do Sistema Penitenciário (INESPE), do qual é presidente e fundador. O instituto tem como objetivo inovar e aperfeiçoar o complexo sistema penal brasileiro.

     O núcleo de pesquisa do ins-tituto é formado por vários observatórios e promove palestras com importantes autoridades do meio jurídico sobre a causa e efeito da violência e da criminalidade urbana, através de convênios com a Faculdade de Direito e Administração da Milton Campos, com a Faculdade de Enge-nharia e Arquitetura da FUME e está fechando outro convênio com a Faculdade de Comunica-ção da PUC-MG.

    Segundo pesquisas do INES-PE, uma das principais causas do aumento da criminalidade no País está no modelo ultrapassado de penalizar o condenado. Na opinião de Azevedo, não basta privar a liberdade, mas reeducar o preso para que ele seja devolvido à sociedade melhor do que quando entrou no sistema.

Centro de estudo do preso

    Atualmente, o INESPE está investindo na construção do Museu do Preso onde será construído um centro de estudo multidimensional do sistema penal que visa reduzir a reincidência e a criminalidade e baixar o custo operacional de manutenção do encarcerado.

    Geridos pelo instituto, os observatórios deste Centro de Estudo do Preso contribuirão para qualificar e formar profissional do sistema penal brasileiro.

    Autor de vários artigos e estudos sobre o sistema penal vigente, Azevedo tem tra-balhos divulgados nos principais meios jurídicos do País e diz que gosta tanto de Nova Lima que não deixaria a cidade por nada.

     Natural de Muriaé-MG, Juarez Azevedo é casado com Nídia Perez Morais há 35 anos, com quem tem três filhos: Ana Carolina (advogada), Ana Katherine (funcionária pública) e Álvaro Azevedo (administrador de empresas e servidor público municipal). O casal tem ainda dois netos: Vinícius e Maria Eduarda.

 

Protestos em Nova Lima

Reajuste não é votado

e servidores tentam

invadir o Plenário

 
 
A promotora Ivana Andrade, em recente encontro com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Dinis Pineiro, teve decisiva atuação no processo de cassação do prefeito de Nova Lima, Cássio Magnani Junior
Promotora Ivana Andrade, em recente
encontro com o presidente da Assembleia 
Legisaltiva, deputado Dinis Pinheiro, teve 
atuação decisiva na cassação do prefeito de Nova
Lima, Cássio Magnani Junior.
 
 
José Cleves
 

    Falta de quorum e protestos do público presente  obrigaram o presidente em exercício da Câmara Municipal de Nova Lima, Alessandro Coxinha (PRTB), a suspender a reunião extraordinária desta sexta-feira (25/4), quando seria votado o projeto do Executivo que previa reajuste de 12 e até 20% para os servidores públicos municipais.

    Disposto a retirar o projeto de pauta por recomendação da promotora de Defesa do Patrimôio Público,  Ivana Andrade Souza, que classificou o reajuste de ilegal, Coxinha mal abriu a sessão e notou que não tinha vereadores suficientes para continuar com os trabalhos.

    O presidente aguardava o tempo regimental para a entrada dos vereadores ausentes quando um grupo de manifestantes representando os servidores ameaçou invadir o plenário, obrigando-o a suspender a  reunião que não tem data para continuar.

     O ofício com a recomendação do MP foi enviado ao presidente licenciado, Nélio Aurélio, que assumiu interinamente a Prefeitura, e ao seu substituto,  Alessandro Coxinha, bem à véspera da reunião.

    Para o Ministério Público, o reajuste é ilegal por inflar os gastos com pessoal além do previsto em lei. Na justificativa do projeto, o ex-prefeito Cassio Magnani Junior (PMDB), que deixou o cargo nesta quarta-feira por determinação da Justiça Eleitoral, calculou em 42% o percentual de gastos com a folha de pagamento, conforme previsão orçamentária de 2014, que é de R$ 720 milhões.   O máximo permitido pela LRF é de 54%. 

    O MP alega, no entanto,  que o orçamento de R$ 720 milhões inclui os recursos extras e não apenas a receita corrente. Em 2013, a previsão orçamentária do município foi de R$ 360 milhões, mas fechou o ano com quase R$ 500 milhões, devido a parcelas de uma dívida antiga da Vale com os municípios mineradores. Já para este ano, a previsão foi ainda mais otimista, elevando o orçamento para R$ 720 milhões.

    Caso os reajustes fossem aprovados pela Câmara, os gastos com as despesas de pessoal chegariam a R$ 297 milhões. O equivalente a 82%, se a base de cálculo fosse no orçamento anterior.

   Como a reunião suspensa, o assunto fica adiado para a próxima terça-feira, quando os vereadores se reunião ordinariamente para decidir se votam ou não o reajuste.

    O projeto de reajuste chegou à Câmara dia 22, um dia antes da deposição do prefeito Cassinho que teve seu mandato cassado com perda dos direitos políticos por oito anos, pela  justiça eleitoral. O novo prefeito Vitor Penido classifica o reajuste de oportunista e como uma vingança do ex- prefeito para inviabilizar o seu governo.

Lei prevê vários benefícios

    Além do reajuste de 12% para a maioria dos servidores e de 20% para os assistentes administrativos, o projeto prevê vários outros benefícios que no entendimento do Ministério Público incidirão sobre os gastos com  pessoal. São eles: reajuste de 20% do valor nominal do vale refeição; licença remunerada para o servidor com doença grave na família; 100% de horas extras para os servidores convocados para trabalhar em dias declarados ponto facultativo; 10% de reajuste sobre o piso salarial do servidor ocupante de cargo efetivo de professor de educação física; revisão do vencimento do servidor apostilado cuja categoria  profissional pertença o caro efetivo beneficiado com o reajuste de seu piso e alteração para doze por 60 da carga horária dos motoristas de ambulância.

 

Nélio assume interinamente

a Prefeitura de Nova Lima.

Posse de Penido será dia10

Troca de poder foi tensa na Prefeitura nesta terça-feira.

    O presidente da Câmara de Nova Lima, Nélio Aurélio de Souza (PMDB), assumiu interinamente nesta terça-feira o cargo de prefeito de Nova Lima, em substituição a Cássio Magnani Júnior (PMDB) que deixou o cargo, juntamente com a sua vice Fatinha Aguiar (PT), por determinação da Justiça Eleitoral.

    A interinidade de Nélio tem previsão de durar até o dia 10, quando a Câmara dará posse ao novo prefeito Vitor Penido (DEM) que já foi diplomado pelo TRE nesta segunda-feira, no cartório eleitoral da comarca.

    Tão logo o acórdão da sentença foi publicado, Cassinho entrou com pedido de liminar para permanecer no cargo até a decisão final do Tribunal Superior     Eleitoral (TSE), mas teve que aguardar a resposta fora da Prefeitura.

    A mudança do poder ocorreu poucos minutos antes do meio dia, após intensa movimentação na Prefeitura para que a ordem do TRE fosse cumprida.

    Cassinho e a sua vice foram cassados  pela justiça eleitoral de primeiro e segundo graus por abuso de poder econômico. A dobradinha PMDB-PT teria sido beneficiada por decretos de cessão de uso de terrenos em troca de votos assinados pelo ex-prefeito Carlinhos Rodrigues (PT).

Confusão

    Amparado pela lei que diz que no caso de vacância do cargo de prefeito, assume o presidente da Câmara dos Vereadores, Nélio Aurélio foi cedo para a Prefeitura para assumir o lugar de Cassinho.

    Para surpresa sua, o prefeito estava reunido com todo o seu secretariado. O Procurador da Prefeitura, Castelar Guimarães, levou o vereador para a sua sala e pediu-lhe paciência para tentar resolver o problema.

    Após longa conversa com Cassinho, o procurador retornou dizendo que o prefeito estava disposto a deixar o cargo, desde que a resolução que dava posse a Nélio fosse aprovada em plenário da Câmara.

    O vereador bateu o pé dizendo que não aceitava isso, porque, segundo disse ao procurador,  o TRE determinava o afastamento imediato do prefeito e a posse do presidente da Câmara.

    -Quero o cumprimento da lei – insistiu Nélio.

    Diante do impasse, o presidente acionou a Polícia Militar para registrar um Boletim de Ocorrência com “o descumprimento da lei pelo prefeito”. O BO seria     entregue à Justiça Eleitoral pára as providências de praxes.

    “O prefeito não quer largar o osso”

    Mesmo informado pelo procurador da Prefeitura de que Cassinho não estava revestido do cargo de prefeito, mas em reunião com os secretários para saber o que fazer, Nélio continuou reticente.

    -Cassinho quer é ganhar tempo para esperar a liminar, mas eu tenho o que fazer e preciso cumprir as ordens do TRE. Aliás – prosseguiu o presidente da Câmara – o prefeito não quer largar o osso, é isso”, ironizou.

    Depois de muitas idas e vindas, Nélio decidiu caminhar para o primeiro andar, onde fica o gabinete do prefeito, acompanhado dos vereadores Ângela Lima (PMDB), Alessandro Coxinha (PRTB), José Guedes (DEM) e André Vieira (PRB) e Silvânio Aguiar (PT), que chegou depois.

    A interlocução de Nélio com a recepção, foi áspera:

    Ele pediu a presença imediata de Castelar Guimarães e ao receber a resposta de que o procurador pediu que aguardasse mais um pouco, Nélio soltou os cachorros:

    -Diz para ele (Castelar) que o seu chefe sou eu, sou o prefeito e quero a presença dele aqui agora”, ordenou Nélio, impaciente.

    Enfim, prefeito

Momentos após, chegou o procurador da Câmara, Luciano Augusto de Freitas, informando que já estava tudo decidido e que o prefeito deixaria a Prefeitura naquele instante.

Os secretários começaram a sair e Nélio foi chamado para ocupar o gabinete do prefeito, o que fez acompanhado dos vereadores presentes. Advertido pela assessoria de Cassinho de que somente ele deveria entrar, Nélio retorquiu impaciente:

-Os vereadores têm direito de entrar porque este é um ato da Câmara. Eram exatamente 11h58m quando Nélio, enfim, ocupou o gabinete do prefeito, pondo fim ao impasse que durou mais de 2h. 

 

Primeiro ato será desafetação 

de terreno para a construção 

do novo prédio da Câmara

Projeto deverá ser aprovado na reunião da câmara que tem novo presidente

    O primeiro ato de Nélio como Prefeito interino de Nova Lima deverá ser a assinatura da lei que desafeta uma área verde no bairro Oswaldo Penna Barbosa para a construção do novo prédio da Câmara.
    O projeto deverá ser votado na reunião ordinária desta terça-feira que será comandada pelo seu novo presidente, Alessandro Coxinha. Ele terá como vice, Ângela Lima.
    A expectativa é de que a reunião trate apenas da votação da resolução que empossa Nelio como prefeito interino de Nova Lima e deste projeto do novo prédio da Câmara.
    Mas,segundo os bastidores, não está descartada a possibilidade de Nélio tomar outras decisões importante. Um acoisa é certa: ele não vai exonerar nenhum secretário, como  vem sendo falado na cidade.
    
 

Penido e Luick são

diplomados pelo TRE.

Cassinho aguarda resposta dos embargos no cargo.

 
 
    O deputado federal Vitor Penido (DEM) foi diplomado pelo TRE como o novo prefeito de Nova Lima, em substituição a Cássio Magnani Junior (PMDB). Penido e seu vice, Luciano Luck (PSL), receberam os diplomas da Justiça Eleitoral no cartório eleitoral da comarca nesta segunda-feira, às 17h, em cerimônia rápida e simples.
    A defesa de Cassinho entrou com embargos logo após a publicação do acórdão que confirma a cassação da chapa situacionista eleita em outubro. Os dois e o ex-prefeito Carlinhos Rodrigues (PT) perderam ainda os seus direitos políticos por oito anos.
    O prefeito reuniu-se na manhã desta terça-feira com todo o seu secretariado para traçar a estratégia da defesa. A expectativa na Prefeitura é de que o TSE acate o pedido de liminar que será feito logo após a finalização dos embargos, para que Cassinho permaneça no cargo até a decisão final de Brasília.
    Enquanto isso, o presidente da Câmara, Nélio Aurélio (PMDB), está de sobreaviso. Dependendo do que for decidido nas próximas horas, ele poderá asumir a Prefeitura, interinamente, até que a Câmara dê posse a Penido, como determina a Justiça Eleitoral.
    Cassinho e Fatinha  tiveram a chapa eleita em outubro casada pela Justiça Eleitoral em primeira e segunda instância por apuso de poder econômico. Eles teriam sido beneficiados pelo então prefeito Carlinhos Rodrigues que assinou vários decretos de cessão de uso de terrenos públicos em troca de votos, segundo entendimento da justiça no processo movido pelo DEM contra a eleição da chapa.

 

 

Juiz ameaçado de morte em Minas é referência no Brasil

·         Postado por jose cleves da silva em 18 fevereiro 2014 às 0:00

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Juiz Juarez Azevedo durante

 recebimento do Prêmio Innovare 2011

 

     

     Com 80 mil habitantes, um orçamento para este ano de R$ 720 milhões e o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas, Nova Lima, na Grande BH, vive o seu inferno astral, com a política local em pé-de-guerra.

     Depois de cassar o prefeito eleito, Cássio Magnani Junior (PMDB), e sua vice, Fatinha Aguiar (PT), por irregularidades na eleição, o juiz Juarez Morais de Azevedo está ameaçado de morte e pediu proteção do Tribunal de Justiça.

     O magistrado estaria numa lista de “marcados para morrer” que corre de boca em boca na cidade, e, embora duvide das ameaças, decidiu tomar as suas precauções.

     A experiência no manuseio de uma boa arma, da época em que era delegado de polícia, ajuda na segurança individual. E por recomendação do  TJ, o juiz alterou também a sua rotina de trabalho, pela primeira vez em quase 30 anos de comarca.

     Também o deputado federal Vitor Penido (DEM), segundo candidato mais votado nas últimas eleições e eventual sucessor do prefeito, caso a sentença seja confirmada em instância superior, também se diz ameaçado de morte.

      O parlamentar acionou o Ministério da Justiça e está com a sua segurança reforçada. Ao contrário do juiz, que diz não saber de onde vem as ameaças, o parlamentar não esconde as suas convicções.

    “São os meus adversários; eles não se conformam com a derrota na justiça e estão me ameaçando de morte”, afirma Penido, que já foi quatro vezes prefeito da cidade que ele pretende governar pela 5ª vez.

Suborno

    Na mesma semana, o presidente da OAB local e sub-procurador da prefeitura, Léo Alves de Assis, é visto em um vídeo entregue à polícia da capital tentando subornar uma testemunha, “com o propósito de tumultuar o processo” que se encontra em grau de recurso no Tribunal Regional Eleitora (TRE).

    A gravação do vídeo foi feita pela própria testemunha, Davidson de Almeida, com o uso de uma microcâmera instalada num relógio de pulso. O DVD com a filmagem está sendo periciada pela polícia científica que poderá ou não confirmar a sua autenticidade.

    Davidson receberia “um bom café” e oito anos de emprego garantido para dizer que ele e o Pastor Durval, da Igreja Quadrangular, receberam dinheiro para denunciar, em outro vídeo também de sua autoria, a compra de votos praticadas pelo ex-prefeito Carlinhos Rodrigues.

    A denúncia de compra de votos é uma das peças-chaves do processo, juntamente com os decretos de doações de terrenos à véspera da eleição.

Um juiz acima de qualquer suspeita

     Tido como um dos juízes mais respeitados de Minas, autor de vários estudos sobre o sistema penitenciário e defensor intransigente do método APAC (cadeia sem polícia), que recuperou dezenas de presos na comarca nos últimos anos, Azevedo está pagando pelo excesso de zelo e a ética.

     Respeitado pelos protagonistas do processo, Vitor Penido, várias vezes prefeito da cidade, e o advogado Cássio Magnani Junior, com quem se encontrava quase que diariamente no Fórum, Azevedo poderia ter se declarado impedido de julgar a causa de um contra o outro, mas não fugiu da responsabilidade.

     Acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) favorável à demanda de Vitor Penido contra Cassinho, que teria sido favorecido pelo seu antecessor, Carlinhos Rodrigues, acusado de compra de voto para beneficiar o seu candidato, e tocou o processo, como se não conhecesse as partes.

    “Eu não fujo de minhas obrigações, jamais”, disse-me certa feita o magistrado, que nunca escondeu a sua admiração pelos dois candidatos. Julgou o caso conforme a sua convicção e se diz tranquilo quanto ao desfecho do processo no TRE.

    “O Tribunal pode manter a minha sentença ou reforma-la, para mim não faz muita diferença; isso é comum no Poder Judiciário. O importante é o dever cumprido”, analisa o magistrado que não se diz arrependido de ter pego a causa.

    “Triste eu estaria se não tivesse aceito este desafio”, confessa.

Prêmio Innovare

    Prêmio Innovare 2011 (inclusão social), recebido no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo seu trabalho de recuperação dos presos na APAC que ajudou a fundar na cidade, Azevedo é ainda presidente-fundador do Instituto Nova-limense de Estudos do Sistema Penitenciário (Inespe), cuja meta é a humanização dos processos penais e uma sociedade mais segura.

    O lema do Inespe se baseia no princípio APAC de que o preso tem que sair do sistema melhor do que quando entrou. Os números da APAC-NL obtidos por Azevedo são impressionantes: 6% de reincidência (contra 85% da média nacional), e um salário mínimo/mês de custo do preso (contra R$ 2 mil da média nacional).

    O instituto é um verdadeiro laboratório para estudos do sistema penitenciário, com seus observatórios e eventos voltados para o tema, e tem uma visão holística e difusa que lhe permite elaborar pesquisas e estudos científicos capazes de tirar do buraco o caótico sistema prisional do País.

    Este é o legado de Azevedo, um juiz que aprendi a admirar após os meus 60 anos de idade e 40 de profissão, sem ter conhecido outro igual. Talvez por falta de oportunidade, mas garanto que são poucos como ele no Brasil. Não é justo duvidar de um homem assim.

 

 

Livro sobre a vida de meus 

pais será lançado em breve

     Já está praticamente no prelo o meu terceiro e mais importante livro – Retratos de Uma vida – um relato fiel sobre a história de vida de meus pais, Zezé e Olga, que se casaram em 1945 e  criaram uma família maravilhosa, com 11 filhos, 22 netos e 7 bisnetos,  e mais de 100  parentes por afinidades (primos, sobrinhos, tios, etc).

   Escrevo a  história de minha família para servir de exemplo às futuras gerações. A lição de vida de nossos pais, que passaram por cima de toda a sorte de dificuldades sem perder a ternura e a dignidade,  mostra que a vida é feita de desafios e somente com o trabalho honesto, fé em Deus e devoção pelos pais, é possível ter uma família honrada.

    Esta é a herança que recebemos deles e que pretendemos deixar para os nossos descendentes, como um patrimônio da família que custou muito caro, como poderá ser constatado no livro que escrevo na segunda pessoa, como um observador privilegiado desta maravilhosa história de amor.

    Meu pai, um simples candeeiro e ex-recruta do Exército que por pouco não foi parar na guerra, e minha mãe, moça prendada e de boa família, provaram que unir a família e fazer amizade são os melhores investimentos do mundo.

    Meu saudoso pai faleceu em 206, aos 82 anos. Minha mãe, com 84 anos, e "voando baixo",  assumiu a condição de matriarca da família que ela continua "criando"   com a mesma vitalidade e honestidade de sempre. O comando é seu e nós pedimos a sua bênção, sempre!

CURIOSIDADE

    Ao montar a árvore geneológica de nossa família, deparei com uma extraordinária coincidência. Meu avô paterno, Pedro da Silva, tem o mesmo nome do primeiro Pedro da Silva registrado no País, em 1600, e o  avô materno, Antônio Rodrigues Milagres, é também homônimo do patriarca da família, o primeiro a usar o sobrenome Milagres, dado pelos pais, após receber uma graça divina, em Cambeses, divisa da Espanha com Portugal, no Século XVII.

    A edição virtual, com arquivo aberto, de modo a permitir o acesso dos demais familiares para adicionar novas informações à obra, deverá ficar pronta nos próximos dias. A impressa está prevista para meados deste ano. Este periodo de maturação do livro tem como objetivo fechar o seu conteúdo com o máximo de informação e precisão.

 

 

 

 

Suspeição injusta

 

José Cleves

 

Lí com inegável desprazer a nota divulgada na coluna da jornalista Raquel Faria, do jornal O Tempo, onde diz que a defesa do prefeito Cassinho (PMDB) estaria preparando documentos contra o juiz Juarez Morais de Azevedo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alegando que o magistrado foi parcial na sentença que cassa o mandato do prefeito, para proteger o filho, Álvaro Azevedo, que é suplente de vereador pelo DEM. Creio que há algum mal entendido nessa informação. Primeiro, porque as partes tiveram tempo suficiente para  requisitar o afastamento do juiz no processo. Não o fizeram porque não quiseram. Segundo, porque, em tese, a sentença prejudica o rapaz que ocupa cargo de confiança no Governo Cassinho. Portanto, se alguém tivesse que declarar suspeição, o coerente seria a petição partir da defesa de Penido, ou estou errado? Outra coisa, Cassinho advogou muitos anos no fórum e conhece mais do que ninguém o caráter de Azevedo, um dos magistrados mais corretos de Minas. Eu diria do Brasil, porque lido com o Poder Judiciário há mais de 40 anos e conheci poucos juízes como o seu temperamento de total independência. Admiro-o pela retidão. Sempre que posso,  troco nem que seja um dedo de prosa com ele e nunca, em tempo algum, duvidei de sua postura austera e a inconfundível organização no trabalho. Certa ocasião,  ele me disse, referindo-se ao seu filho: “Eu sou o juiz e meu filho, um cidadão”. Ou seja, não se pode misturar as coisas. Creio que o melhor que Cassinho tem a fazer, é brigar pelos seus direitos, porque a sentença é de primeiro grau e cabe recurso. Azevedo tem um caráter inabalável, mas é humano. E se falhou na sentença, com alega dos cassados, ela será reformada. Qual o problema? Aliás, quando fiquei sabendo que o DEM moveu a ação que pedia a cassação do diploma da chapa Cassinho-Fatinha, pensei com os meus botões: “Pobre do juiz, qualquer que for a sua decisão, vai ter barulho”. Até porque, o que nunca passou pela minha cabeça foi a possibilidade, ainda que remota, de Azevedo abandonar o processo. Este não é o seu feitio. Ele não é homem de correr da responsabilidade. Eu também não correria. Agiu pela razão e não pelo coração, tenho absoluta certeza disso. E digo mais: Azevedo é um grande admirador de Cassinho e não faria mal algum a ele. Cumpriu a lei, conforme o seu entendimento.

 

Amagis defende atuação de juiz de Nova Lima

A Associação dos Magistrados Mineiros vem a público contestar insinuações maldosas e irresponsáveis com relação ao trabalho isento, correto e íntegro do juiz Juarez Morais de Azevedo, da 194ª Zona Eleitoral, da Comarca de Nova Lima.

Em seus 23 anos de atuação naquela Comarca, o magistrado sempre julgou com imparcialidade, respeitando o amplo direito de defesa, além de cumprir as leis e a Constituição. Aos inconformados com algumas de suas decisões, é facultado o direito de recorrer a instâncias superiores, como é o devido processo legal. 

 

Belo Horizonte, 24 de outubro de 2013

Herbert Carneiro

Presidente da Amagis

 

 

 

Os 25 anos da CF de 1988

José Cleves

Comemorou-se neste dia 5 (sábado passado), 25 anos de promulgação da Constituição Federal de 1988, da qual me orgulho de ter participado como repórter constituinte dos principais jornais do País, porque não escrevia apenas para o Correio Braziliense, Estado de Minas, Última Hora e Jornal de Brasília (com quem tive vínculos trabalhistas neste período), mas para vários outros veículos, já que eu praticamente morava dentro do Congresso Nacional. Chegava por volta das 8h e saía, às vezes, 2h da madrugada. Cheguei a colaborar, inclusive, com o Comitê Interamericano de Direitos Humanos, que estava muito interessado na elaboração do capítulo sobre direitos e garantias fundamentais (artigos 5º ao 17º). Era comum a abordagem de correspondentes das principais agências de notícias internacionais da época, como as norte-americanas Thomson Reuters Corporation e United Press International (UPI), alem da francesa Agence France-Presse (AFP), consideradas, juntamente com  Associated Press, as maiores agências de notícias do mundo. Muitas delas tinham sucursais espalhadas pelo Brasil, inclusive em Belo Horizonte. As notícias eram enviadas via telex (Código Morse). Aliás, o meu amigo José de Souza Castro escreveu um belíssimo ensaio jornalístico sobre o fim das sucursais e a importância  dessas agências de notícias internacionais no Brasil pós-Segunda Guerra Mundial. Os jornalistas estrangeiros faziam muitas perguntas sobre os dispositivos constitucionais que bloqueavam qualquer tipo de golpe e jogavam pesado contra os crimes de tortura e as ações armadas contra o estado democrático. Queriam saber como a Assembléia Nacional Constituinte trataria esses assuntos. Justiça seja feita, Tancredo Neves foi o grande responsável por essa Constituição, ao lado de Ulysses Guimarães. Tão logo se candidatou presidente da república, Tancredo deu uma entrevista coletiva afirmando que mais importante do que ter um presidente civil, é a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. E que, se eleito, a convocaria imediatamente. Participei dessa entrevista e sou testemunho  desse juramento. Ele foi eleito em janeiro de 1985, adoeceu em março (véspera da posse) e morreu em abril, mas ficou o legado. O presidente José Sarney  (1985-1990) honrou a promessa.  Por tudo que representa para o Brasil essa nova era constitucional – e pela luta que foi para a sua elaboração –, refuto, do alto de minha insignificância, qualquer critica à nossa CF. Ela significa a vitória da democracia brasileira e é, sem dúvida, uma das mais modernas e representativa do mundo. Quando Ulysses Guimarães a promulgou, na minha frente, chorei de emoção 

Recursos pedem

pela permanência

do prefeito Cassinho

 

José Cleves

 

Somente na segunda-feira, com o retorno do juiz eleitoral Juarez Morais de Azevedo, que está fora da comarca, é que a Justiça vai analisar a enxurrada de recursos ordinários e embargos interpostos contra a sentença que pede a cassação do prefeito Cássio Magnani Junior (PMDB) e de sua vice Fatinha Aguiar (PT), que perderam também os direitos políticos por oito anos.

O ex-prefeito Carlinhos Rodrigues entrou com embargos de declaratórios contra a sentença, alegando que houve “parcialidade, contradição e premissas equivocadas” na cassação de seus direitos políticos.

A promotora Ivana Andrade Souza foi a primeira a entrar com  embargos contra o efeito suspensivo na sentença. O argumento é de que essa seria uma atribuição do Tribunal de Justiça (TJ), e não do juiz de primeira instância.

Já Cassinho e a sua vice Fatinha Aguiar – e o próprio PT – entraram com pedidos de nulidade da sentença e a reforma de seu mérito, tendo como argumento a “ausência de provas” de que os atos do ex-prefeito favoreceram a eleição da chapa situacionista.

O PT alega parcialidade do juiz que, conforme a defesa do partido, teria que ter se declarado impedido de julgar o caso, anexando ao processo várias fotos e documentos para reforçar o seu pedido de revisão do mérito da sentença.

Prazos

Também o PMDB, partido de Cassinho, entrou com pedido de assistência ao prefeito no processo, para acompanhar o seu andamento na esfera judicial.

A juíza eleitoral substituta, Myrna Souto, se declarou impedida de julgar os recursos e embargos, “por uma questão de fórum íntimo”, e não quis dar entrevista sobre o caso.

Com isso, somente na segunda-feira, com a chegada do juiz titular Juarez Morais de Azevedo, os pedidos terão andamento.

Pela lei, após o julgamento dos embargos, os requerentes terão 72h para entrarem com recursos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

                Opinião

O juiz Juarez Morais de Azevedo é muito acreditado em Nova Lima, onde está há quase 30 anos, pela ética, correção e  absoluta isenção em suas sentenças. Quem o conhece sabe disso. Se o TRE ou o TSE reformar a sua sentença, como deseja o prefeito Cassinho e a sua vice Fatinha Aguiar – e a torcida deles não poderia ser diferente –, não será novidade para ninguém, porque este é um fato normal no Poder Judiciário, o mais democrático e justo dos poderes da República. O que não acreditamos, de forma alguma, é na possibilidade, ainda que tênue, de o juiz ter agido por dolo, passionalidade ou parcialidade em seu veredicto, como afirmam alguns, porque Azevedo é um magistrado legalista que não mistura as coisas. Ele nunca escondeu a sua admiração por Penido e Cassinho que, por questões políticas, se tornaram partes opostas de uma demanda judicial indigesta. A sua sentença não é definitiva e será analisada pelos desembargadores do TRE e talvez até pelos ministros do STE, que podem ter um entendimento diferente da causa, mas isso em nada mudará o respeito que temos pelo juiz. Somente quem tem a prerrogativa da sentença sabe como é difícil a busca da verdade.

 

 

 

 

 

Última Hora

Justiça Eleitoral

Cassa Cassinho

e a vice Fatinha

 José Cleves

A  Justiça Eleitoral de Nova Lima-MG cassou nesta segunda-feira (23) o mandato do prefeito Cássio Magnani Junior (PMDB) e de sua vice, Fatinha Aguiar (PT), bem como os seus direito políticos por oito anos, pena essa também aplicada ao ex-prefeito Carlinhos Rodrigues (PT), que apoiou a chapa, conforme sentença proferida pelo juiz da 194ª Zona Eleitoral da Comarca, Juarez Morais de Azevedo.

A sentença, com 75 páginas, foi protocolada na secretaria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da cidade por volta das 17h30. Os acusados têm 72h, a partir da notificação da sentença, para recorrer da decisão de primeira instância no TRE. A ação foi movida pelo DEM e seu concorrente à chapa situacionista, Vitor Penido de Barros que, uma vez confirmada a sentença, deverá retornar à prefeitura para o seu 5º mandato.

A expectativa é de que até o final do ano o caso seja julgado pelo TRE. Em caso de manutenção da sentença, Penido terá que renunciar ao cargo de deputado federal para assumir a prefeitura de Nova Lima, após a sua diplomação pela Justiça Eleitoral. Como cabe recurso, Cassinho certamente que recorrerá a Brasília, mas fora da prefeitura, porque a decisão colegiada do TRE exige a imediata aplicação da lei.

É importante ressaltar que a setença proferida pela Justiça Eleitoral de Nova Lima não é de cassação do prefeito Cassinho, mas de impugnação da chapa apoiada pela prefeitura que teria praticado atos ilícitos para beneficiar a coligação que elegeu o novo prefeito e a sua vice, que por esse motivo, perde também o cargo.

Caso Cassinho tivesse obtido o mínimo de 50% dos votos, o TRE convocaria outra eleição. Mas como isso não ocorreu, assume a prefeitura o segundo colocado nas eleições, que foi Vitor Penido.

Cassinho se diz tranquilo

 Mesmo surpreso com a decisão, Cassinho reagiu com tranquilidade diante da condenação. Amigos e assessores do prefeito informaram à nossa reportagem que ele pretende dar continuidade na sua administração à frente do Executivo Municipal, enquanto aguarda a decisão da justiça.

"Cassinho está bem, chateado, mas convicto de sua inocência", disse um de seus assessores.

O resultado da sentença motivou algumas comemorações isoladas em diversas regiões do município. Na Praça Bernardino de Lima, onde fica o Fórum e a Prefeitura, um grupo se reuniu perto da Câmara e soltou rojões, com palavras de ordem. Houve um  pequeno buzinaço e o footing normal de pessoas mais preocupadas em comentar o assunto do que comemorar ou protestar.

Penido: "Vitória foi do povo"

Já o deputado federal Vitor Penido recebeu a setença com um misto de euforia e pé no chão.

"Não foi uma vitória minha, do deputado Vitor Penido, mas do povo de Nova Lima. Cargo eu já tenho", comemorou o parlamentar, lembrando que não houve surpresa na decisão da justiça "pela robustez das provas e a seriedade da justiça de Nova Lima", afirmou.

Mesmo poupando o prefeito Cassinho de criticas, Penido admitiu que o erro na campanha foi compartilhado.

"Não tenho o que falar de Cassinho, mas ele foi um produto da máquina que o apoiou e baixou 89 decretos de doações de imóveis para beneficiar a campanha, mesmo tendo o prefeito da época assinado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) no Ministério Público se comprometendo a não fazer isso; ninguém pode ganhar uma prefeitura dessa forma", condenada o parlamentar.

Penido diz que esses decretos eram tão imorais, segundo ele, que o próprio prefeito Cassinho os revogou.

"Cassinho não poderia ter revogado esses decretos, porque foi um problema da aministração anterior; se ele revogou, é porque estava tudo errado e isso foi a comprovação do crime", espeta Penido

Leia a sentença no www.anoticianovalima.com

 

Opinião

A boa alma de Cassinho o livra de muita coisa, mas a guerra agora é contra a sentença. Não vale o “Só sei que não sei”

José Cleves

Não vamos discutir o mérito da sentença proferida pela Justiça Eleitoral de Nova Lima, que cassou o mandato e os direitos políticos do prefeito Cassinho e de sua vice, bem como de seu antecessor, Carlinhos Rodrigues, todos eles colocados no mesmo grau de culpa pelos eventuais abusos cometidos na campanha que resultou na vitória da chapa situacionista. Os acusados têm amplo direito de defesa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e podem, até, reverter a situação, porque a sentença não é definitiva. Mas não se iludam. Não será fácil a ninguém derrubar a sentença do juiz Juarez Morais de Azevedo, conhecido pelas suas decisões legalistas e sempre muito bem fundamentadas. Portanto, não adianta ir para o muro de lamentações e espernear no facebook, como temos visto por ai, achando que vai sair de lá perdoado por Deus, porque tudo que ilude, encanta, e nada nos afasta mais do conhecimento do que o pseudo-conhecimento (Sócrates). A parada no TRE será terrível para os acusados. Não adianta esse negócio de jogar a culpa no outro, porque enquanto houver culpa, haverá condenação. A tese da defesa terá que ser baseada no grau de influencia dos atos do governo passado no resultado da eleição. O Ministério Público disse que houve benefício compartilhado e a justiça acatou esse posicionamento da promotora Ivana Andrade Souza, que por sinal havia decretado tolerância zero para os crimes eleitorais, bem antes do pleito. Portanto, no entendimento da Justiça Eleitoral, houve uma ação compartilhada dos envolvidos, de modo a obter vantagens nas urnas. Ou seja, todos se beneficiaram do ato coletivo, ainda que um ou outro desconhecesse tudo que foi feito na campanha, porque importa à Justiça Eleitoral o resultado final – o alvo dessas ações e a quem elas interessavam. Uma coisa é certa: ninguém pode duvidar do caráter e da honestidade de Cassinho, homem probo e muito respeitado, que merece as nossas considerações. Mas não será fácil para ele se livrar dessa enrascada. Entendemos, até, que não ficaria bem ao atual governo despejar terra sobre o túmulo de Carlinhos Rodrigues, como vimos na nota divulgada pela prefeitura à imprensa, porque essa é uma estratégia equivocada e de revelado grau de ingratidão. Se é verdade que a caneta de Carlinhos Rodrigues beneficiou a sua eleição, como afirma a justiça, resta a Cassinho derrubar o ato ilícito com argumentos robustos, porque o “Só sei que não sei”, tão amplamente explorado nas obras de Platão (e nos autos do Mensalão), nos remete à fábula do devorador de sanduíche que nega tê-lo degustado, talvez pela origem desabonadora de quem o serviu.

 

O PT partido e esfacelado

José Cleves

A agonia lenta do PT em Nova Lima é apenas um retrato do que vem ocorrendo com o partido no País. Mesmo saindo vitorioso como coadjuvante do PMDB na última eleição para prefeito, a estrela vermelha fez jus ao nome e partiu em várias partes. Aliás, o desmanche petista na cidade foi previsto por nós à véspera das eleições de outubro de 2012, quando aconselhamos o então prefeito Carlinhos Rodrigues a não lançar um candidato próprio, sob pena de uma derrota acachapante. Dividido em vários pedaços e sem as mínimas condições de controlar a sua vaidade, o PT foi para a eleição, aos trancos e barrancos, reassumiu a prefeitura com Fatinha Aguiar de vice e fez dois vereadores. Em termos quantitativos, foi até bem. Mas na prática, é um motor envelhecido e sem partida. Fatinha, como todo vice, é apenas uma sombra de Cassinho. Partidariamente, fica no limite de uma militância desunida. Os dois vereadores da sigla, Flávio de Almeida e Silvanio Aguiar, são ovelhas desgarradas.  Carlinhos Rodrigues virou um caudilho solitário, sem força na prefeitura, que comandou durante dois mandatos, embora seja, ainda, a única estrela a brilhar dentro do partido. Tem luz própria, mas seu futuro político é incerto. Para piorar a situação da estrela vermelha na cidade, o PMDB, da vitoriosa dobradinha de 2004, 2008 e 2012, caminha  para uma nova parceria com o PSDB. Se isso de fato ocorrer, restará ao PT as cacarias do PCdoB e meia dúzias de partidos pequenos e insignificantes. Aliás, assim caminha o PT no País. Xodó do trabalhismo e de intelectuais do período pós-ditadura, o Partido dos Trabalhadores foi longe com a sua gangorra, até alcançar a autofagia de uma sigla carcomida pelo xiitismos e maniqueísmo das décadas de 80/90. A picada mortal do mosquito azul, com o Mensalão, na década seguinte, foi o tiro de misericórdia nas pretensões de seus seguidores. A melancolia somente não o levou ao óbito, pela incrível resistência de alguns de seus ícones, como Lula, que não depende de sua cangalha para puxar o carro. Por conta dele, o PT resiste em Brasília e pode até renovar a permanência de Dilma Rousseff no Planalto. Isso, se o barbudo continuar com a estratégia de andar com Deus e a “coisa ruim” ao mesmo tempo, sem pudor e vergonha na cara

 

A creche dos meus sonhos

 

José Cleves

Estive dias atrás no Centro de Convivência da Creche Comunitária São Judas Tadeu, no Jardim Canadá,  e confesso que fiquei encantado com o que vi.  Dizem que é a maior do Estado em regime integral (7 às 17h30m) para crianças de quatro meses a 12 anos. É um modelo inovador de creche-escola, onde os alunos acima de 7 anos são levados para o ensino fundamental fora e buscados para completarem o dia na creche. Fundada em 1995  pelo vereador Flávio de Almeida, a entidade possui sede própria e vive de doações da comunidade e apoio da Prefeitura que são suas mantenedoras. Os projetos sociais da São Judas Tadeu extrapolam a sua finalidade base. Já encaminhou, por exemplo, mais de 500 jovens dependentes de drogas para tratamento em clínicas conveniadas. Algo simplesmente extraordinário. Essa creche me fez lembrar três personalidades que marcaram época na história do Brasil, por defenderem, exatamente, a filosofia ementada em sua base de ensino: o professor Anísio Teixeira (1900-1971), que em meados do século passado defendia o ensino integral no País; o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), idealizador desse projeto a partir da década de 1980, e do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994), que implantou  no Estado escolas em turno integral com a construção de pelo menos 500 Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Infelizmente, por ignorância política dos que se opunham a tudo que o caudilho fazia (a ala conservadora da política nacional e parte da grande imprensa temiam que o socialismo de Brizola chegasse à Presidência da República), o projeto da escola pública integral foi para o brejo. Sepultada em cova rasa, o projeto foi exumado em Nova Lima por Flávio de Almeida, um militar que virou político e crecheiro autodidata, ao resgatar esse modelo de semi-internato infanto-juvenil gerido pela comunidade (em latim, comum, geral, compartilhado por muitos). Portanto, desvinculado da caneta política. Sem a intromissão do poder público em seu seio, esta creche, que tem o nome de  um dos 12 apóstolos escolhidos por Jesus para acompanhá-lo na vida pública, está livre do devaneio político que enterrou o sonho de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Brizola. Vamos torcer para que os empresários de nossa cidade e o bem-aventurado prefeito Cassinho  ajudem o Flávio, porque essa é, com certeza, a poção mágica para salvar o Brasil do analfabetismo político e nossas crianças das drogas.

 

Que Deus proteja o Villa (e meu amigo Jairo Gomes)

José Cleves

 

A renúncia do meu amigo Jairo Gomes (foto), que não quer mais ser presidente do Villa Nova, significa um coice nas pretensões do time que vive atolado em dívidas e maus resultados, naturalmente consequência de anos de atraso de seus governantes. Jairo, embora não tenha conseguido tirar o time do atoleiro, foi, indiscutivelmente, talvez o mais carismático de todos os presidentes. Generoso e sempre solícito – tem a parcimônia dos sábios e a presteza dos altruístas –, o fabuloso Jairo Gomes, se jogador fosse, teria estufado as redes dos adversários quantas vezes fosse necessário. O bastante para levar o clube à glória do passado, mas é apenas uma voz tênue, mansa, que exprime na alma o mais expressivo sentimento de amor ao clube. Quantas vezes  cruzei com esse vilanovense cafuzo nas ruas de Nova Lima, sempre trazendo debaixo do braço as contas impagáveis do seu vermelho e branco.
O assunto era repetitivo, mas de boa prosa. Jairo falava das dificuldades financeiras do time, de seu momento na competição e, após agradecer a atenção, lá ia ele outra vez subindo ou descendo ladeira atrás de dinheiro para salvar o Villa de mais uma crise. Não conseguiu. E se Jairo não conseguiu, ninguém mais conseguirá. O problema do Villa é crônico e vem do atraso de uma instituição do tamanho de sua cidade, mas que não foi renovada com o tempo. Embora as glórias do passado – e a condição de se manter, ao longo de sua existência, como o quarto maior time de futebol de Minas, o maior do interior, o primeiro fora da capital a ter jogadores convocados para a Seleção Canarinho, e o carisma que faz de seu estandarte uma grife  que vale ouro –, ninguém tirou proveito disso. Aliás, o Villa teve a sua chance de sair do atoleiro nas temporadas passadas (2011-2012), quando a capital ficou sem campo, com o fechamento do Mineirão e do Independência, em reforma para a Copa de 2014. Qualquer político, ainda que degenerado, optaria por Nova Lima para sediar os jogos dos times da capital, pela tradição futebolística da cidade e a grife Villa Nova. Mas o Governo do Estado optou por Sete Lagoas. Faltou topete aos nossos políticos para reverter esse erro. Ninguém peitou o então governador Aécio Neves, em defesa do nosso Villa Nova. Engoliram o sapo e o Villa capitulou, miseravelmente. Se o Leão tivesse a sua Arena multiuso, seria hoje locatário de grandes eventos e o Jairo Gomes não seria apenas mais um retrato na galeria de seus ex-presidentes. Que Deus proteja o Villa, mas as notícias vindas do Bonfim não são alvissareiras.

 

Por quê Nova Lima

O prefeito de Nova Lima, na Grande BH, Cássio Magnani Junior, tem motivos de sobras para estar rindo à toa.  E não é para menos. O Índice deDesenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da cidade é o melhor do Estado e o 17º do Pais, ou seja, está à frente de 5.547 dos 5.564 municípios da federação, segundo dados de 2010 divulgados pela ONU recentemente.

Entre 2000 e 2010, a dimensão que mais cresceu em termos absolutos foi Educação (com crescimento de 0,161), seguida por Renda e por Longevidade. Já a renda per capita média de Nova Lima cresceu 263,92% nas últimas duas décadas, passando de R$ 475,88 em 1991 para R$ 829,30 em 2000 e R$1.731,84 em 2010. A taxa média anual de crescimento foi de 74,27% no primeiro período e 108,83% no segundo. A extrema pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00, em reais de agosto de 2010) caiu de 7,04% em 1991 para 2,91% em 2000 e para 0,51% em 2010. 

Ou seja,

Nova Lima tem números que justificam a sua condição de xodó da classe média e alta da Capital que, infelizmente, não conhecem o melhor dessa cidade tricentenária: o seu povo. A cidade respira ares de uma vida gostosa de se viver, com muita religiosidade, sinceridade e respeito aos outros. O pessoal dos condomínios e bairros luxuosos, como o Vila da Serra  e o Vale do Sereno precisa chegar mais. A dificuldade de se locomover no seu centro administrativo dificulta essa convivência, mas com um bom projeto de mobilidade urbana, seguramente que vamos receber de braços abertos nossos vizinhos e a satisfação será mútua.

Detalhe

Não é por acaso que escolhi essa cidade para morar e trabalhar. Mas, infelizmente, tive que me mudar novamente para Belo Horizonte, porque meus filhos têm negócios e compromissos na Capital que, a bem da verdade, sempre me cativou, mas nada parecido com o que encontrei em Nova Lima. Alguém pode perguntar: mas porque, então, essa foto de protesto ilustrando esse comentário. Sim, embora Nova Lima tenha a melhor qualidade de vida entre praticamente todos os municípios brasileiros, tem muita coisa a ser feita na cidade. Uma delas, é a questão da mobilidade urbana e o saneamento básico. A outra, é a luta interminável de todo brasileiro pela moralidade das coisas públicas. Aqui não é diferente, mas está melhorando agora neste mandato. Por isso, contnuamos comos nossos cartazes em riste. Essa chama não pode apagar.

 

 

 A farra erótica com o dinheiro público

José Cleves

 

A gastança e o desperdício do dinheiro público reclamados nas ruas pelos jovens é algo fora do comum no Brasil. Os 39 ministérios consomem algo em torno de R$ 611 bilhões/ano, creio que 30 a 40% dessa fortuna são jogados fora ou desviados, um absurdo. Acho até que já foi pior.

Na década de 1980, a farra era indecente. Os deputados com cargos maiores tinham direito a um Ford Landau com bandeirinhas sobre o pára-lamas  que emergiam da garagem encerados, vazando gasolina e com motorista cheirando a sabonete. Retornava à noite sem uma gota de combustível, invariavelmente, como ocorria praticamente com toda a frota oficial. Os parlamentares tinham jetons, cotas ilimitadas na gráfica e de tudo mais no gabinete.

Toda quinta-feira o carro-frigorífico distribuía toneladas de carnes nas mansões de ministros e chefes de poderes, algumas com mais de 20 funcionários, entre jardineiros, pessoal da cozinha, arrumadeiras, seguranças, etc.

Os apartamentos funcionais eram reformados à medida de sua ocupação, independentemente do tempo de uso e da reforma anterior. Deputados, ministros (políticos e do Poder Judiciário) e demais autoridades voavam mais do que os pilotos, inclusive para o exterior, ainda que somente na contabilidade, porque muitos deles prestavam contas de viagens fantasmas. A farra era tanta que a funcionária de um sex shop de Brasília contou-me que um determinado ministro comprava toda semana uma boneca inflável para se divertir na piscina e devolvia os pedaços furados à faca. Uma fantasia erótica com o dinheiro público  nunca revelada em detalhes.

O ex-presidente João Figueiredo (1979-1985) fazia churrasco quase toda semana na Granja do Torto e fugia à noite de moto para uma zona boêmia em Anápolis. Meu então colega de trabalho Gilberto Amaral, hoje colunista do Jornal de Brasília, sabia disso. O presidente passava na guarita de capacete e blusão preto sem ser percebido pelos repórteres.

O lixo diário das farras recolhido pela limpeza urbana, se reciclado, dava para colocar qualquer um milionário. Infelizmente, não havia Internet, só flagrante dos repórteres, boa parte deles comprometida com o poder. Se o pouco que vi e ouvi fosse para as redes sociais naquela época, haveria no Brasil uma revolução de deixar os franceses de boca aberta. Infelizmente, eram tempos difíceis. Basta! O jovens de hoje não suportam 1% disso.

A revolta do nada contra tudo

 

 

 

José Cleves

Os Protestos “contra tudo”, principalmente contra a corrupção, se espalharam por todo o País e já há um sentimento perplexidade e medo das instituições por conta dos baderneiros que infiltram-se entre a multidão para depredar e saquear os estabelecimentos comerciais. 

Por enquanto, o Exército não foi convocado para ocupar as ruas, e nem se cogita falar nisso, mas este recurso extremo não poderá ser descartado, até porque a violência aumenta à medida em que a mobilização ramifica pelo interior do País.

Novas demandas, como a votação da PEC 37, marcada para o dia 26, prometem engrossar o movimento que continua com a pauta aberta e sem um comando central. Dilma Rousseff  adota o discurso ufano-nacionalista de apoio aos protestos dos jovens que não arredam os pés das ruas, mas a verdade é que o Planalto não sabe direito como conduzir as negociações.

Desonerar a tarifa das passagens de ônibus em São Paulo, como informa o governo local, não será o suficiente para abafar revolta, até porque as reivindicações variam conforme a necessidade de cada estado. O PSDB tenta tirar partido da mobilização com criticas “ao Governo do PT”, mas o oportunismo tucano não teve repercussão na grande imprensa.

Os principais meios de comunicação do País seguem a recomendação dos ativistas que, em sua maioria, não quer envolvimento com partidos políticos. O foco dos  “caras pintadas” recrutados pela rede mundial de computadores continua sendo o “governo geral” (federal, estadual e prefeituras) num discurso uníssono pela melhoria dos serviços públicos e o fim da corrupção.

A expectativa é de que este movimento vá até o final da Copa das Confederações, com agendamento de passeatas conforme o calendário dos jogos, para obter maior visibilidade principalmente da imprensa internacional. As vozes das ruas, como definiu a presidente, soam cada vez mais agudas contra a corrupção e os desmandos, tendo como escopo o aumento das tarifas das passagens de ônibus e os gastos com a Copa 2014. Mas a verdade é que o povo perdeu a paciência com a classe política, hoje com credibilidade zero entre os jovens estudantes secundaristas e universitários cooptados pelas redes sociais para extravasarem o seu sentimento de revolta nas ruas. É a revolução que saiu do nada contra tudo. 

 

 

O povo perdeu a paciência

 

As vaias à presidente Dilma Rousseff sábado passado no Estádio Nacional Mané Garrincha colocam fim  ao mito de que futebol não se mistura com política no Brasil.

Aliás, os recentes protestos de rua lembram Nélson Rodrigues: o governo  pode não saber se há ou não movimentos políticos por trás destas manifestações, mas sabe porque está apanhando.

Não há dúvida de que o aumento das tarifas de ônibus é apenas o bode expiatório deste movimento. O carro-chefe dos protestos são a construção de monumentos fadados  ao abandono, à custa de uma pesada carga tributária, e o aumento da corrupção e da criminalidade urbana que avançam na mesma velocidade do sucateamento das estradas, aeroportos, saúde, educação e transportes públicos.

Uma hora o povo (a classe média e estudantil, principalmente) iria perder a paciência. No caso específico das vaias, elas ocorreram devido à mudança do perfil dos freqüentadores dos estádios de futebol, hoje somente acessível a pessoas da classe média para cima. O preço dos ingressos foi para as alturas. Na Copa das Confederações, varia entre  quase R$ 400 a R$ 4 mil.

Moral da história: trocaram o público-alvo dos caudilhos pela classe mais politizada nos estádios e, ao invés de palmas, ouviu-se apupos. Quem gasta essa fortuna para ver um jogo de futebol, naturalmente que não está nem aí para os programas sociais do PT. Está preocupado é com reforma tributária, reforma política e do judiciário, e com a inflação que está subindo à medida em que a econômica encolhe. Esse público não faz parte do 0800 do Governo Federal, pelo contrário, paga caro para ter educação, segurança e saúde e quer uma contrapartida do governo, como estradas e aeroportos de qualidade e uma tributação mais justa, além, claro, do fim da impunidade.

O governo, que permitiu a expulsão do povão dos estádios, deveria estar preparado para a recepção deste novo público, principalmente na abertura de um evento esportivo tão importante como este na capital federal, onde está a maior renda per capita do País. Pior é que esse fenômeno capitalista atingiu praticamente todos os campos de futebol do País. A TV paga banca os times e leva o espetáculo virtual para as residências e os bares, sem a necessidade de se gastar fortunas nos campos.

Parece ser o início da derrocada da política ufano-nacionalista dos caudilhos e ditadores que prometem milagres para engabelar o povo. Agora a coisa ficou mais complicada e Dilma Rousseff, que tem pinta de ser uma mulher séria, terá sérios problemas para reformar o seu mandato em 2014, a menos que consiga contornar a situação.

O povo quer investimentos nas políticas públicas, porque de pão e circo, estamos cheios.

 

 

Porque sou contra a PEC 37

José cleves

    A briga dos delegados com os promotores de justiça pela exclusividade da investigação judiciária ainda vai dar muito o que falar, mesmo após a aprovação ou rejeição da PEC 37, que limita as atividades do Ministério Público. Já demos a nossa opinião a respeito da polêmica, mas nunca é demais repetir que somos contra o projeto, na sua forma original, por uma razão simples: se a lei for aprovada, como querem os delegados, os promotores cruzarão os braços e o país vai para o buraco, porque vai acontecer o mesmo que ocorreu quando da aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que praticamente proibiu a Polícia Civil e a PM de prenderem menores de idade e as corporações esmoreceram.

    Com a perda do poder de investigação, o MP certamente que  fará o mesmo em relação aos políticos. Ou seja, “já que não podemos investigar, deixa roubar (os políticos, principalmente)”. Uma espécie de greve branca.

    O ideal é que houvesse um acordo extra-Congresso entre promotores e delegados na divisão de suas tarefas. A Constituição Federal diz, no artigo 144, que é obrigação da polícia exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. Já o artigo 129 atribui ao Ministério Público promover, privativamente, a ação penal pública; promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos, etc. Como se vê, a Carta Magna promulgada em 1988 colocou delegados e promotores com poderes constitucionais para investigar crimes.

    Ocorre que as duas instituições não entram num acordo. O MP é um poder agregado importantíssimo para o combate à criminalidade, principalmente quando se trata de crimes praticados por políticos, porque tem mais autonomia administrativa e política. Falta disciplinar a coisa para evitar que um entre na seara do outro e que haja prevaricação.

    O delegado Marco Antônio Chedid, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de MG, tem razão quando diz que os promotores não estão investigando a polícia (eu tenho provas contundentes disso, porque aconteceu comigo e registrei o fato no livro A Justiça dos Lobos, p. 85), da mesma forma que a promotora de justiça Andressa Lanchotti tem razão ao afirmar que se a PEC for aprovada, a corrupção vai campear no País, porque a polícia judiciária, a estadual, principalmente, não investiga políticos (sou igualmente testemunho desse fato). Portanto, é melhor um bom acordo do que uma demanda deste tamanho. (Vote ao lado na enquete no contra ou a favor da PEC 37)

 

 

 

Enquete

Você é contra ou a favor da PEC 37

Sim (5)
45%

Não (6)
55%

Total de votos: 11

 

 

Atenção, Alckmin! (e jornalistas mal informados)

Os bandidos que atazanam São Paulo e o Brasil são barbados, os mesmos que arrombam os caixas eletrônicos, traficam armas e drogas, roubam o dinheiro do povo e "compram" parlamentares. Portanto, o buraco é mais embaixo

José Cleves

Boa parte da imprensa está botando fogo num debate perigoso para o Brasil e injusto para as suas crianças e jovens: o de que é preciso reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, como forma de se combater o elevado índice de criminalidade urbana no País.

O pavio foi aceso pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que desembarcou em Brasília com a receita da pólvora na mão para implodir o “dragão do crime” que assola a capital paulista e o resto do Brasil. Segundo o tucano, este dragão tem menos de 18 anos e precisa de ter a sua idade penal reduzida em pelo menos dois anos para ser banido da sociedade.

Inverteram a ordem dos fatores. Agora são os menores que usam os adultos, ao contrario do que dizem os boletins de ocorrência da polícia, onde o que mais se vê é bandido barbado usando crianças como escudos para ficarem na impunidade ou políticos com cara de vô desviando merenda das escolas para o enriquecimento ilícito em cima das crianças.

Ou seja, para os defensores dessa bandeira do Alckmin (e da imprensa maldosa), os meninos do Brasil é que são os culpados das mazelas e da violência no País. Seriam eles os responsáveis, por exemplo, pelos estouros dos caixas eletrônicos, tráfico de armas, de drogas, seqüestros, rombos nos cofres públicos, fraudes eleitorais e “compra de deputados”.

Não vai demorar muito e os mensaleiros vão falar que foram os nossos filhos é que compraram os deputados e não eles que são grandes demais para cometerem tamanho absurdo.

Ah, me ajude ai governador e seus Datenas da vida. Querer fazer a cabeça da opinião pública com esses absurdos, sem qualquer sustentação jurídica e números, é querer transferir os problemas do Brasil para quem não tem nem direito de defesa.

“Pequenos, violentos e quebrados

Se reduzirem  a menoridade para 16 anos, como querem muitos, o Brasil fará parte de uma minoria insignificante de países que adotam tal medida sem nenhum sucesso, pelo contrário, são modelos de nações atrasadas (Afeganistão, Coréia do Norte, Nepal e mais uma meia dúzia de países pequenos, violentos e quebrados). Pejorativos que, no Brasil de Alkmin e dos apresentadores sensacionalistas, se aplicam aos jovens.

A questão é que, com a opinião pública formada a ferro e fogo, grande parte dos políticos, mesmo sabendo que o buraco é mais embaixo, acaba concordando com essa mentira para falar a mesma língua do povo.

Em Minas, a A Rádio Itatiaia, campeã de audiência no Estado,  fez uma pesquisa com os parlamentares da bancada mineira para saber quem era contra ou a favor da redução da maior idade no País.

Claro que a maioria foi favorável a essa redução. Metade por incompetência e a outra metade por temer o eleitorado que já está de “cabeça feita” pelos formadores de opinião que pensam com os cotovelos. É fácil colocar a culpa em quem não tem emprego, família, oportunidade, principalmente quando gente de sua idade faz coisa errada e não tem correção da família ou do governo que simplesmente o ignoram.

Aliás, é o mesmo discurso dos que são contra os defensores dos Direitos Humanos, por entenderem, equivocadamente, que defender direitos fundamentais é defender bandidos.

A pecha chegou a tal ponto que alguns professores aboliram a expressão Direitos Humanos nas faculdades,  pelos Direitos Fundamentais Positivados, que vem a ser a mesma coisa, porém sem o composto.popularizado  pela  parte ruim da imprensa.

Os números provam que não são as crianças e os adolescentes que mais matam, mais roubam, mais corrompem e mais praticam crimes no País. Pelo contrário. Os dados provam que eles são vítimas de um governo que nunca investiu em educação como deveria, dificulta o primeiro emprego, não se preocupa com as crianças e nem com o seu futuro.

Crianças tratadas como ratos de esgoto

Já os adultos roubam, matam, seqüestram, estupram, traficam drogas, armas e corrompem as autoridades para desviar o dinheiro público e ficam impunes. Mentem para a população, abusam da autoridade e manipulam a opinião pública, como agora com essa discussão fora de foco.

Tenho cinco  filho, mais de 40 anos de jornalismo a céu aberto e, portanto, autoridade para falar sobre esse assunto com conhecimento de causa. Criaram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas não arrumaram meios para tratamento do menor infrator, com internações dignas. O menor que pratica crimes é jogado na rua, como ratos de esgoto. Proibiram os nossos filhos de trabalhar, mas não arrumaram meios para  proporcionar-lhes estudos e qualificação profissional ao alcance de todos.

Em resumo, deram às crianças e adolescentes do Brasil o direito de apodrecerem na rua, em total estado de abandono e desdém, como se não fossem gente. Todo dia tropeço em crianças drogadas debaixo de viadutos em Belo  Horizonte.

Os marmanjos podem tudo

Já os marmanjos,  pelo contrário, podem tudo. Podem roubar, estuprar e  matar e, quando muito, pagar apenas 1/3 da pena, quando pagam. Podem  traficar drogas, armas e até usar as crianças e adolescentes como escudos. Porque esses parlamentares que são a favor da redução da maior idade no Brasil não votam leis obrigando o governo a investir mais na educação dos jovens? Porque não votam leis obrigando os bandidos a pagarem a pena total pelo crime cometido? Porque não votam leis obrigando os presídios a produzirem para o auto-sustento de seus internos? Porque não votam leis permitindo ao menor trabalhar, conforme o seu desejo, desde que estudem? Porque não votam leis mais duras para os adultos que roubam o dinheiro público?

Nunca vi, em todos esses anos de jornalismo, menor buscando armas e drogas no exterior, ou roubando o dinheiro público. Muito menos mentindo para a opinião pública. Podem pesquisar na Internet que verão que 99,9% dos bandidos brasileiros têm mais de 18 anos. Então, o foco da discussão sobre a criminalidade urbana no Brasil tem que ser outro,  não este.  Pelo visto, o discurso populista de Alkmin sairá pela culatra, a menos que prevaleça a burrice e a insensatez.

 

 

Estamos a procura de parceiros

 

Estou fazendo um esforço muito grande para manter a credibilidade do Jornal A Notícia, de Nova Lima (tablóide semanário de minha propriedade, com 5 anos de existência), nesta sua nova fase, evitando rótulos políticos e outras inconveniências resultantes de eventuais acordos comerciais para o custeio do veículo. Preciso, pois, com urgência, de uma parceria para tocar o negócio, mas seria muito bom para o interesse público – para Nova Lima, melhor dizendo – que o periódico não perdesse a confiança de seus leitores, ainda que tenha como sócio algum político. Portanto, quem estiver interessado, favor entrar em contato pelo telefone 9718.5711, ou pelo meu email josecleves@hotmail.com.  A proposta é a seguinte: aceito dividir o espaço do jornal com qualquer interesse político-partidário, desde que seja uma pessoa honrada e aceite as nossas condições, qual seja, jamais perseguir os seus adversários, plantar notícias maldosas para prejudicar esta ou aquela pessoa ou deixar de fazer o contraditório, no caso de acusações acerca de fatos de notório saber. Estou, portanto, disposto a “vender espaços” do jornal para quem contribuir com a sua veiculação, sem prejuízo do mix de reportagem e interferência na parte opinativa (editorial, artigos e colunas, de autoria de seu corpo editorial), mas cedendo ao parceiro o direito também de opinar, de fazer as suas criticas e de se manifestar naquilo que é de seu interesse. Como se vê, o que ofereço não está longe do que ocorre nos principais jornais do mundo, onde o dono tem a sua preferência política, parceiros comerciais e amigos, porque é ele quem banca as despesas e sabe onde o sapato está apertando. Os grandes jornais do Brasil, Folha de S. Paulo (dos Frias), Estadão (Mesquitas) e Globo (da família Marinho), sempre tiveram a sua preferência política e nem por isso deixaram de ter crédito junto aos leitores, embora nem sempre revelassem essas preferências publicamente. Bobagem. Trabalhei com repórteres destes jornais em Brasília e sabia até os políticos que eram ligados aos donos e que, portanto, deveriam ser poupados nos noticiários. Teve uma época, por exemplo, que os repórteres do Globo não podiam pegar pesado com determinados políticos da situação, ainda que tivessem motivos para tal. O mesmo ocorria com os da Folha e do Estadão. Um exemplo clássico disso ocorreu em 1989 com o meu colega Leonel da Mata, repórter da TV Globo, que perguntou ao então presidente da Câmara dos Deputados Antônio Paes de Andrade (1989-1991) se ele pintava o bigode (e pintava mesmo). O parlamentar não gostou da brincadeira e ligou para Roberto Marinho que demitiu o repórter no mesmo dia. Ficamos possessos com o ocorrido e no Sábado de Aleluia malhamos o Judas Antônio Paes de Andrade. O parlamentar pertencia ao poderoso PMDB de Ulysses Guimarães e foi várias vezes presidente em exercício do País no governo de José Sarney (1985-1990), que não tinha vice. Numa dessas interinidades, levou uma expressiva comitiva à sua cidade Natal, Mombaça, no Ceará, à custa do governo. Tornou-se, por essa razão, uma figura folclórica e objetos de chacotas.

 

 

 

Leia a edição da semana do Jornal A Notícia:

O fim da calvice

Capilart inova com

técnica perfeita de

micropigmentação

A Capilart, patrocinadora deste site, inova mais uma vez com uma técnica ainda mais avançada de resolver de vez o problema de quem sofre com a calvice. O procedimento não inclui implante nem fios de cabelos reais. Um aparelho chamado de micropigmentador, comumente usado para fazer tatuagens, pinta pontos  pretos que imitam um couro cabeludo com cabelos começando a crescer. A ilusão de ótica gerada dá a impressão de que os fios estão curtos, ainda na raiz.

Segundo o micropigamentador Cleves Henrique, o procedimento leva cerca de três horas. A tinta usada é permanente, assim como a de tatuagem. É recomendado um retoque após de três anos, para realçar os pontos pintados.

Cleves Henrique conta que já atendeu quase cem clientes à procura do serviço e que a satisfação tem sido unânime.
 

 

capilart.blogspot.com.br/

CAPILART 31 3785.1074 / 31 8375 6322 AV Afonso Pena, 3924, Mangabeiras  - Belo Horizonte / MG Artista: Cleves